SBMT GP CONECTA https://sbmt.gpconecta.com Modelo Beta Thu, 19 Feb 2026 13:39:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 Vírus da febre amarela é identificado em Aedes albopictus em área verde urbana de São Paulo https://sbmt.gpconecta.com/virus-da-febre-amarela-e-identificado-em-aedes-albopictus-em-area-verde-urbana-de-sao-paulo/ Sun, 15 Feb 2026 01:41:04 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1915

A febre amarela voltou ao centro das discussões científicas com a identificação do vírus (YFV) em mosquitos Aedes albopictus coletados na área verde urbana da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, no interior do estado. O achado é resultado de uma pesquisa entomovirológica conduzida após a confirmação de epizootias em primatas não humanos, incluindo bugios encontrados mortos na região entre 25 e 31 de dezembro de 2024. O estudo, intitulado “Yellow Fever Virus in Aedes albopictus Mosquitoes from Urban Green Area, São Paulo State, Brazil” (https://doi.org/10.3201/eid3111.250692) foi publicado na revista Emerging Infectious Diseases e traz novas evidências sobre a circulação do vírus em áreas verdes urbanas.

A febre amarela, doença infecciosa causada pelo vírus do gênero Orthoflavivirus, mantém ciclos de transmissão tanto urbanos quanto silvestres. Na América Latina, a transmissão silvestre predominante envolve primatas não humanos e mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Desde a década de 1940, a transmissão urbana não é registrada no Brasil, onde o principal vetor é o Aedes aegypti. Contudo, entre 2014 e 2023, o Brasil enfrentou uma expansão da circulação do YFV para regiões densamente povoadas, com registros fora da Amazônia. Estudos genéticos indicaram a dispersão viral para novas áreas a partir de 2017, e, no estado de São Paulo, depois de um período de circulação contínua entre 2016 e 2020, o vírus retornou em nova onda a partir de 2022, com epizootias em primatas não humanos em vários municípios.

No noroeste paulista, a circulação do vírus tem sido menos pronunciada em comparação com outras regiões mais florestadas, com a detecção do YFV em mosquitos considerados vetores secundários. Foi nesse contexto que, após a morte de seis bugios no campus da USP de Ribeirão Preto, amostras de mosquitos coletadas foram enviadas ao Instituto Pasteur, da Coordenadoria de Controle de Doenças, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IPSP), onde foram realizadas as análises laboratoriais de identificação taxonômica dos vetores e detecção do vírus.

O Dr. Eduardo S. Bergo, um dos autores do estudo, explica que, entre 7 e 9 de janeiro de 2025, a equipe realizou a coleta de mosquitos em plataformas instaladas a cerca de dez metros de altura nas copas das árvores e também ao nível do solo, com o uso de redes manuais e aspiradores entomológicos. No total, 212 fêmeas, distribuídas em 59 pools e pertencentes a dez espécies, passaram por análise laboratorial. A detecção do vírus da febre amarela ocorreu por RT-qPCR, e quatro pools de Aedes albopictus, que corresponderam a 55,7% dos insetos coletados, apresentaram resultado positivo.

De acordo com o pesquisador, as altas taxas de detecção em Aedes albopictus e a ausência de YFV em espécies como Haemagogus leucocelaenus e Sabethes albiprivus, normalmente associadas à transmissão silvestre, sugerem que Ae. albopictus pode ter tido papel significativo na transmissão do vírus entre primatas não humanos no cenário investigado. “Os dados indicam que Ae. albopictus, espécie amplamente distribuída no território brasileiro e com elevada capacidade de adaptação a ambientes de transição entre áreas naturais e urbanizadas, pode apresentar competência vetorial para participar da transmissão do vírus da febre amarela, sob condições ainda não totalmente compreendidas”, destaca.

Para o Dr. Bergo, esse estudo é importante porque, ao contrário de registros anteriores no Brasil, nos quais as infecções em Ae. albopictus apresentaram cargas virais baixas e sem isolamento do vírus, o caso de Ribeirão Preto revela infecção ativa e a circulação efetiva do YFV nesse vetor. “Embora os resultados não indiquem uma retomada da transmissão urbana, eles ressaltam a necessidade de vigilância contínua em áreas verdes urbanas, onde há a interação entre primatas, mosquitos e população humana”, acrescenta.

Por fim, o pesquisador enfatiza que a vigilância entomológica nessas áreas é importante para antecipar mudanças nas dinâmicas de transmissão. “O monitoramento das epizootias em primatas não humanos, que frequentemente precedem casos humanos, é fundamental para orientar a intensificação das ações de saúde pública, como a vacinação e o monitoramento vetorial”, reforça. Embora não tenham sido registrados casos humanos associados ao evento investigado, o Dr. Bergo lembra que a presença de pessoas não vacinadas em áreas com circulação viral mantém o risco de infecção. A imunização permanece como a principal medida de prevenção contra a febre amarela, sobretudo em municípios com recomendação ativa.

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Mulheres e Meninas na Ciência: protagonismo que fortalece a saúde dos Trópicos https://sbmt.gpconecta.com/mulheres-e-meninas-na-ciencia-protagonismo-que-fortalece-a-saude-dos-tropicos/ Wed, 11 Feb 2026 20:49:33 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1799 A ciência que sustenta a Medicina Tropical tem muitas mãos femininas e começa, muitas vezes, na curiosidade de uma menina que decide fazer perguntas.

São pesquisadoras que investigam surtos, sequenciam vírus, acompanham ensaios clínicos, desenvolvem novos diagnósticos e trabalham para que o conhecimento chegue a quem mais precisa, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.

No Brasil, as mulheres já são maioria entre bolsistas de mestrado e doutorado. Ainda assim, a presença diminui nos cargos mais altos da carreira científica. Enfrentar essas desigualdades também significa criar caminhos para que mais meninas permaneçam e avancem na ciência.

Na SBMT, temos orgulho da forte participação feminina, das pesquisadoras que ajudam a construir respostas para arboviroses, malária, tuberculose, doença de Chagas e outras doenças tropicais. Valorizar mulheres na ciência é fortalecer o presente. Incentivar meninas é cuidar do futuro da saúde global.

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18ªExpoepi – Edital de Chamamento Público do Prêmio AdaptaSUS https://sbmt.gpconecta.com/18aexpoepi-edital-de-chamamento-publico-do-premio-adaptasus/ Tue, 20 Jan 2026 20:19:00 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1774

Data: de 12 de janeiro a 28 de fevereiro

Horário: das 8h às 18h

Informações: http://premioadaptasus.saude.gov.br

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Diretor-Geral da OMS nomeia ex-presidente da SBMT Dr. Marcus Lacerda como Diretor de TDR https://sbmt.gpconecta.com/diretor-geral-da-oms-nomeia-ex-presidente-da-sbmt-dr-marcus-lacerda-como-diretor-de-tdr/ https://sbmt.gpconecta.com/diretor-geral-da-oms-nomeia-ex-presidente-da-sbmt-dr-marcus-lacerda-como-diretor-de-tdr/#respond Sun, 18 Jan 2026 15:57:51 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=404

O programa global de colaboração científica Special Programme for Research and Training in Tropical Diseases (TDR) atua na área de doenças infecciosas da pobreza, como malária, tuberculose e doenças tropicais negligenciadas

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Ciclo Carlos Chagas de Palestras 2026 https://sbmt.gpconecta.com/ciclo-carlos-chagas-de-palestras-2026/ Sat, 17 Jan 2026 16:37:00 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1645 Ciclo Carlos Chagas de Palestras 2026

Data: dias 9 e 10 de abril

Informações: ioc.fiocruz.br/e/cccp26

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Newsletter 175 https://sbmt.gpconecta.com/newsletter-175/ Fri, 16 Jan 2026 21:30:41 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1818 Vírus da febre amarela é identificado em Aedes albopictus em área verde urbana de São Paulo

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Newsletter 174 https://sbmt.gpconecta.com/newsletter-174/ Thu, 15 Jan 2026 21:29:00 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1816 Nova bactéria transmitida por carrapatos é identificada em cães

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Nova bactéria transmitida por carrapatos é identificada em cães https://sbmt.gpconecta.com/nova-bacteria-transmitida-por-carrapatos-e-identificada-em-caes/ https://sbmt.gpconecta.com/nova-bacteria-transmitida-por-carrapatos-e-identificada-em-caes/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:03:59 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=114

Espécie inédita do gênero Rickettsia foi isolada, cultivada e sequenciada em estudo científico nos Estados Unidos

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Pesquisa identifica resistência aos principais inseticidas usados na Nigéria para controle do Anopheles gambiae https://sbmt.gpconecta.com/pesquisa-identifica-resistencia-aos-principais-inseticidas-usados-na-nigeria-para-controle-do-anopheles-gambiae/ https://sbmt.gpconecta.com/pesquisa-identifica-resistencia-aos-principais-inseticidas-usados-na-nigeria-para-controle-do-anopheles-gambiae/#respond Thu, 15 Jan 2026 14:01:20 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=109

Ensaios mostraram que as doses recomendadas pela OMS e pelo CDC já não garantam a mortalidade esperada dos mosquitos coletados em Zuba

Artigo publicado na RSBMT identifica perda de eficácia da permetrina e da deltametrina em população de Anopheles gambiae s.l. em Zuba

Uma investigação conduzida em Zuba, no Conselho de Área de Gwagwalada, intitulada “Pyrethroid Resistance in Anopheles gambiae s.l.: A Focus on Permethrin and Deltamethrin for Malaria Vector Control” , publicada na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (RSBMT), revelou níveis preocupantes de resistência do Anopheles gambiae s.l., principal vetor da malária na África, a dois dos inseticidas mais utilizados nos programas de controle vetorial, permetrina e deltametrina. Os resultados chamam atenção por serem os primeiros dados específicos produzidos para essa localidade, uma área que, apesar de densamente povoada e com condições ambientais favoráveis à proliferação de mosquitos, não possuía registros prévios de vigilância entomológica voltada à resistência a inseticidas.

Os autores analisaram amostras coletadas em poças temporárias e pneus abandonados durante a estação chuvosa de 2024, período em que os criadouros se multiplicam no entorno da comunidade. Após a criação dos mosquitos em laboratório, foram aplicados bioensaios padronizados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A partir das doses recomendadas internacionalmente, 21,5 μg/frasco para permetrina e 12,5 μg/frasco para deltametrina, além de uma série de concentrações inferiores, os pesquisadores avaliaram a mortalidade em diferentes intervalos de tempo.

Os números demonstraram a perda de eficácia dos compostos. A permetrina alcançou 84,4% de mortalidade após 30 minutos, abaixo do patamar de 98% definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como indicativo de suscetibilidade. A mortalidade total foi observada apenas aos 35 minutos. No caso da deltametrina, o desempenho foi ainda inferior, com 76% de mortalidade no mesmo intervalo, atingindo 100% apenas aos 40 minutos. Doses subletais não apresentaram qualquer efeito após 24 horas, comportamento que reforça o padrão de resistência já observado em outras regiões da Nigéria.

Para o Dr. Adedayo Michael Awoniyi, um dos autores, os resultados refletem um processo que se desenvolve há décadas no país e que agora se manifesta de forma mensurável em Zuba. “A população local de Anopheles gambiae s.l. não responde mais de forma adequada às concentrações recomendadas. Isso compromete o desempenho de ferramentas centrais do controle vetorial”, afirmou. Ele lembrou que tanto os mosquiteiros tratados quanto a pulverização intradomiciliar dependem majoritariamente de piretroides, compostos que passaram a ser usados de maneira intensiva desde o início dos anos 2000. Segundo o pesquisador, a pressão seletiva contínua, somada ao uso agrícola de inseticidas, cria um ambiente favorável à sobrevivência e à propagação de mosquitos resistentes.

A pesquisa insere-se em um contexto mais amplo. A África Subsaariana concentra a maior parte das transmissões globais, e a Nigéria responde por uma parcela significativa dos casos e óbitos por malária. A OMS e o CDC recomendam que países endêmicos realizem monitoramentos regulares de resistência para ajustar medidas de controle com base em evidências locais. Apesar disso, muitas áreas ainda operam sem dados próprios, o que dificulta a identificação de tendências emergentes. Zuba, segundo o estudo, é um exemplo dessa lacuna. Com drenagem precária, expansão urbana desordenada e acúmulo de água parada, a região reúne condições que favorecem criadouros e podem acelerar a seleção de populações resistentes.

O Dr. Awoniyi destaca que a resistência observada envolve diferentes possibilidades biológicas, ainda não caracterizadas nesse estudo. Mutações no canal de sódio, conhecidas como kdr, ou mecanismos metabólicos baseados na ação de enzimas detoxificadoras, como citocromos P450 e glutationa S-transferases, já foram documentados em outras regiões e podem estar relacionados ao padrão identificado em Zuba. “A ausência de análise molecular impede a confirmação, mas o comportamento fenotípico se alinha ao que tem sido registrado em estados do norte e do sudoeste do país, onde a resistência aos piretroides se consolidou como um desafio operacional”, acrescenta.

O levantamento também expõe um segundo ponto crítico, a exposição repetida a concentrações subletais tende a acelerar a evolução da resistência. Como as doses abaixo do recomendado não produziram qualquer mortalidade na população analisada, o Dr. Awoniyi considera que situações em que inseticidas são aplicados de forma inadequada, seja por dosagem insuficiente, seja por degradação do produto, podem contribuir para o fortalecimento de linhagens resistentes ao longo do tempo. Esse efeito, segundo ele, já foi descrito em estudos anteriores e ressalta a necessidade de padronização rigorosa das intervenções.

O pesquisador reconhece limitações em relação à pesquisa. Ele explica que os dados foram obtidos em apenas um distrito e correspondem a um recorte temporal específico. “Ainda assim, pela ausência de registros prévios, a pesquisa traz dados importantes para o planejamento local, e os resultados funcionam como um alerta. O monitoramento se torna indispensável. Sem acompanhamento contínuo, perde-se a capacidade de ajustar as medidas de controle e, com isso, aumenta o risco de persistência da transmissão mesmo em áreas com intervenção”, finaliza.

Confira o artigo “Pyrethroid Resistance in Anopheles gambiae s.l.: A Focus on Permethrin and Deltamethrin for Malaria Vector Control” publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (RSBMT): https://doi.org/10.1590/0037-8682-0233-2025.

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SEMINÁRIO: Cooperação do Sul Global na Busca por Tratamentos para Dengue https://sbmt.gpconecta.com/seminario-cooperacao-do-sul-global-na-busca-por-tratamentos-para-dengue/ Mon, 12 Jan 2026 20:22:00 +0000 https://sbmt.gpconecta.com/?p=1779

Data: 26 de dezembro

Horário: 9h

Mais informações: bit.ly/EventoDengue

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